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USDA projeta queda de 2% na produção mundial de carne para 2027

O USDA projeta que a produção mundial de carne cairá 1,2 milhão de toneladas (2%) em 2027, com Estados Unidos e Brasil concentrando a baixa, enquanto as exportações recuariam menos de 1% e a Argentina lideraria o aumento do consumo.

Qual é o papel do Brasil e da valorização do real nas menores exportações previstas?

As projeções do USDA, atualizadas nesta semana, antecipam que em 2027 a produção mundial de carne será 1,2 milhão de toneladas ou 2% menor que a deste ano. Enquanto isso, o consumo e as importações se manteriam, enquanto as exportações registrariam uma queda inferior a 1%.

Produção e consumo

Em matéria de produção, os Estados Unidos se destacarão com uma redução de mais de 1 milhão de toneladas, assim como o Brasil, com 200.000. Juntos, os dois somam a baixa mundial, já que o restante dos países, com movimentos muito menores para baixo e para cima, se compensará entre si.

Em matéria de consumo, o primeiro lugar ficará com a Argentina, com 5%, ou 115.000 toneladas de crescimento, seguida pela Índia, com 2%, ou 50.000 toneladas. O aumento na Argentina significaria que o consumo per capita suba 2,5 kg.

Comércio exterior

No item importações, se destacarão a China, com 50.000 toneladas ou 1% a mais, e a Coreia do Sul, com 20.000 toneladas ou 3% de aumento. Ao contrário, os Estados Unidos as reduzirão em 78.000 toneladas ou 3%, e a União Europeia em 55.000 toneladas ou 12%.

Por fim, as mudanças mais acentuadas entre os exportadores serão as quedas da Austrália (80.000 toneladas ou 3%), União Europeia (65.000 toneladas ou 11%), Brasil (50.000 ou 1%) e Argentina (20.000 ou 2%). Pelo lado dos aumentos, se destacarão Índia (50.000 ou 3%), Uruguai (50.000 ou 11%), México (30.000 toneladas ou 8%) e Paraguai (20.000 toneladas ou 5%).

O foco no Brasil

O principal comentário que acompanha este relatório se refere ao Brasil, tanto pela previsão de uma menor produção, pelo início de uma fase de retenção do gado, como pelas dificuldades em suas exportações, em especial com a China, onde sua cota anual é bem menor do que suas possibilidades, e com a União Europeia, pela suspensão de longa duração.

Um ponto de vista que o Valor Carne acrescenta é que, após as eleições de primeiro turno no Brasil e segundo a enorme maioria dos analistas, o próximo governo seria encabeçado pelo partido de Bolsonaro e poderia significar uma valorização do real, o que somará às dificuldades das exportações. Esse elemento, entende a publicação, não foi levado em conta nestas projeções.