Ir para o conteúdo principal
Imagem do artigo
market3 min de leitura

Escritório do USDA em Kiev contradiz relatório oficial e corta para menos da metade as exportações ucranianas de milho

O escritório do USDA em Kiev projeta exportações ucranianas de milho 2026/27 de 10,2 milhões de toneladas, menos da metade do relatório oficial, e antecipa estoques recordes que inundariam o mercado global. Brasil e Argentina assumem a dianteira no milho.

Por que Brasil e Argentina emergem como os grandes beneficiários do apagão logístico do Mar Negro?

O escritório do USDA em Kiev publicou sua atualização do mercado de cereais da Ucrânia com projeções para o ciclo 2026/27 que batem de frente com as do relatório oficial do próprio órgão. Enquanto o relatório oficial prevê que a Ucrânia exportará 22,0 milhões de toneladas de milho, os técnicos do USDA em Kiev estimam 10,2 milhões, menos da metade daquela cifra. Com uma colheita abundante, o escritório local espera ainda um estoque final gigantesco de 19,5 milhões de toneladas, contra os 2,86 milhões com os quais encerraria a safra 2025/26.

No trigo, o corte não é tão dramático, mas também marca uma disparidade importante: o escritório de Kiev projeta exportações de 8,70 milhões de toneladas para 2026/27, contra os 12,5 milhões do relatório oficial. O estoque final de trigo chegaria a 29,3 milhões de toneladas, acima dos 24,78 milhões da safra anterior. O relatório oficial vinha ajustando as estimativas de exportação de trigo ucraniano com uma abordagem gradualista que contrasta com o documento elaborado pelos técnicos presentes no país.

O apagão logístico do Mar Negro

O texto atribui as dificuldades de comercialização ao “apagão logístico” do Mar Negro, que mantém Ucrânia e Rússia sem possibilidade de utilizar os principais terminais portuários agroindustriais. No curto prazo, a restrição logística deveria ser altista; mas, quando o conflito militar for resolvido e essa rota voltar a ser habilitada, o excesso de estoques de cereais disponível nas duas nações inundará o mercado global de cereal barato.

O Mercosul assume a dianteira

Com a Ucrânia fora de jogo, o Mercosul —com Brasil e Argentina à frente— assumiu a dianteira no fornecimento mundial de milho. Os embarques brasileiros de milho deveriam somar 6,01 milhões de toneladas em novembro, cifra apenas superior à do mesmo mês de 2025. De todo modo, graças ao crescimento da demanda interna —impulsionada em grande medida pelo etanol de milho—, as exportações brasileiras deste ano serão substancialmente menores que as de 2025.

Na Argentina, as Declarações Juradas de Vendas Externas (DJVE) de milho para novembro somam até o momento 3,31 milhões de toneladas e, no que vai do ciclo comercial 2025/26, acumulam 39,8 milhões. Ainda falta um bom trecho para completar os 45,0 milhões previstos pela Secretaría de Agricultura, embora seja provável que a meta seja cumprida, já que o ciclo termina em fevereiro do ano que vem.

Preços e o impacto nos Estados Unidos

A pressão da demanda internacional sobre o milho sul-americano na entressafra é benéfica para os produtores da região, embora represente um problema logístico para o trigo, que está em pleno período de colheita. Como referência, a Bolsa de Comercio de Rosario estima que, com as cotações de 4 de novembro, o FAS teórico do milho Rosário se situava em 172,4 u$s/tonelada, enquanto o preço médio negociado, segundo a A3 Mercados, terminou em 181,0 u$s/tonelada.

O fato de o Mercosul ser um fornecedor confiável ao longo de todo o ano não é “gratuito” para os Estados Unidos. Em 29 de outubro, segundo o USDA, os compromissos de exportação do milho americano 2026/27 representavam 30% da oferta exportável projetada, contra 43% na mesma data do ano passado e 41% na média dos últimos cinco anos. Nesse contexto, os preços FOB do milho sul-americano se mantêm firmes, enquanto os valores do cereal americano mostram tendência de queda em linha com a fase sazonal de colheita.