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Ajuda para o diesel do USDA pode elevar a um recorde de US$ 55,4 bilhões os pagamentos a agricultores em 2026

O programa Harvest Fuel Relief Program do USDA, com cerca de US$ 8 bilhões em ajuda para o diesel, pode elevar os pagamentos governamentais a agricultores a um recorde de US$ 55,4 bilhões em 2026, quase um terço da renda líquida agrícola projetada.

Por que economistas e entidades rurais questionam o pacote de ajuda anunciado a duas semanas das eleições de meio de mandato?

O programa Harvest Fuel Relief Program anunciado pelo USDA, que prevê cerca de US$ 8 bilhões em ajuda para o diesel, pode elevar os pagamentos do governo dos Estados Unidos aos agricultores a um recorde de US$ 55,4 bilhões em 2026, segundo reportagens do Progressive Farmer citadas pelo farmdoc. Esse valor superaria o recorde anterior de US$ 45,6 bilhões registrado em 2020, impulsionado pelas ajudas comerciais e pelos pagamentos da pandemia.

A projeção de US$ 55,4 bilhões pressupõe que os novos pagamentos pelo diesel cheguem aos produtores antes do encerramento do ano-calendário, embora o USDA tenha divulgado poucos detalhes sobre o cronograma do programa. O montante ficaria apenas US$ 10 bilhões abaixo dos pagamentos governamentais combinados de 2022, 2023, 2024 e 2025, e equivaleria a pouco menos de um terço da renda líquida agrícola total projetada pelo USDA para 2026.

No fim de junho, o The Wall Street Journal apontou que o financiamento público tem tido um papel cada vez maior na sustentação da renda agrícola ao longo da última década, com desembolsos vinculados à guerra comercial no primeiro e no segundo mandato de Trump, fundos de resgate pela pandemia de COVID-19 e cheques para compensar os baixos preços das culturas. No atual conflito no Oriente Médio, os agricultores têm pagado mais pelo combustível para operar as máquinas e pelos fertilizantes para o plantio. Enquanto as entidades de produtores defenderam mais ajuda, considerando-a vital para manter a agricultura americana de pé, alguns economistas e analistas alertam que não está claro quanto apoio é necessário para sustentar a produção agropecuária do país.

Críticas de economistas e entidades rurais

Aaron Lehman, presidente da Iowa Farmers Union, classificou a ajuda como uma "resposta de curativo" que não corrige as decisões de política que, segundo ele, geram os problemas financeiros dos produtores. "Os agricultores nunca deveriam ter sido colocados nessa posição", declarou. "Uma resposta de curativo agora, duas semanas antes da eleição, não resolve o problema".

Gbenga Ajilore, economista-chefe do Center on Budget and Policy Priorities e ex-assessor de desenvolvimento rural do USDA, afirmou que o anúncio de ajuda do presidente aos agricultores antes das eleições de meio de mandato segue um padrão: as políticas presidenciais prejudicam os produtores e depois se gastam recursos dos contribuintes para compensar o dano causado. Ajilore citou os US$ 28 bilhões entregues sob o Market Facilitation Program (MFP) por causa da guerra comercial de 2018-2019 com a China.

A Farm Action lembrou os US$ 12 bilhões do Farmer Bridge Assistance (FBA) entregues na primavera passada e os US$ 13,8 bilhões em pagamentos ARC/PLC que chegam aos produtores neste mês. "Outro resgate bilionário é mais uma prova de uma economia agrícola em crise", afirmou a organização. "Em vez de enfrentar as políticas e o poder corporativo que elevam os custos e pressionam a renda agrícola, o governo continua dependendo do dinheiro dos contribuintes para manter os produtores de pé".

Calendário de pagamentos e contexto eleitoral

Segundo o Politico, os agricultores não saberão quanto dinheiro esperar por várias semanas ainda; e, mesmo então, se aprovados, não receberão os pagamentos pelo diesel antes do fim de novembro ou do início de dezembro, na melhor das hipóteses, de acordo com três pessoas próximas aos planos que pediram anonimato. A duas semanas da eleição, a nova ajuda pode chegar tarde demais para convencer alguns eleitores.

Os principais republicanos apostam que o anúncio contenha a sangria de votos do Partido Republicano nos estados agrícolas, especialmente no Meio-Oeste, onde o senador do Kansas Roger Marshall, a candidata republicana ao Senado Ashley Hinson, em Iowa, e o candidato republicano ao Senado Mike Rogers, em Michigan, enfrentam campanhas complicadas. Em alguns casos, eles se distanciaram publicamente de Trump por causa dos preços altos e da guerra.