O ciclo pecuário dos Estados Unidos mostra indicadores contrastantes durante 2026: por um lado, a produção se mantém firme e os embarques de carne crescem, mas por outro as margens dos feedlots se comprimem pela alta dos custos do milho. Analistas antecipam um ano de transição antes de uma possível fase de retenção.
O rebanho bovino norte-americano atravessa uma fase de liquidação moderada, com um inventário que tocou mínimas de várias décadas. Essa dinâmica sustenta os preços do gado em pé, mas pressiona as margens dos engordadores quando os custos de alimentação sobem.
Os sinais mistos que chegam dos diferentes elos da cadeia fazem com que as projeções para o final de 2026 variem conforme a fonte consultada.
Segundo os últimos dados do USDA, os pesos de abate se mantêm elevados e a produção de carne cresceu em relação a 2025. No entanto, as margens dos feedlots caíram para mínimas de vários anos, em parte pela firmeza do milho após a seca que afetou várias regiões produtoras.
As exportações de carne mostraram comportamento estável, com leve aumento dos embarques para a Ásia.
A compressão das margens poderia antecipar uma fase de retenção de ventres para 2027, o que moderaria a oferta futura e sustentaria os preços do gado. Para os consumidores, a firmeza da produção ajuda a evitar sobressaltos nos preços da carne.
No plano internacional, a transição do ciclo norte-americano poderia abrir oportunidades para exportadores sul-americanos em mercados onde os Estados Unidos reduzem sua participação.