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Os leilões de Cañuelas entram na disputa pelo Visec e mostram quanto a indústria realmente paga

O Mercado Agroganadero de Cañuelas realizou seu nono leilão de exportação com 1.500 cabeças e teve média de 7.756 pesos por quilo de carcaça para o gado da União Europeia e da Cota Hilton, com uma diferença de até 200 pesos conforme o registro Visec Carne.

Por que o leilão televisionado de Cañuelas pode se tornar uma referência de preços para o gado que vai à União Europeia?

O Mercado Agroganadero de Cañuelas (MAG) realizou nesta quarta-feira seu nono leilão de exportação, com cerca de 1.500 cabeças distribuídas em 25 lotes; no acumulado do ano, já foram negociadas mais de 13.000. O gado das categorias destinadas à União Europeia e à Cota Hilton foi cotado a uma média geral de 7.756 pesos por quilo de carcaça, ainda que com diferenças de mais de 200 pesos para o gado de áreas registradas no Visec Carne.

A dinâmica aponta para um elo que, historicamente, os frigoríficos exportadores negociavam diretamente com os produtores. Com a queda do consumo e o aumento das exportações, cerca de 40% do abate hoje se destina à indústria de exportação, e o mercado busca não perder participação nesse negócio.

Para contornar as restrições sanitárias, que não permitem o deslocamento para mercados concentradores e exigem levar o animal diretamente do campo à indústria, a modalidade escolhida foram os leilões televisionados, que também têm base em Cañuelas. Os encontros acontecem na primeira quarta-feira de cada mês e seguem somando empresas leiloeiras.

A disputa pelo Visec

A questão ganha relevância diante da entrada em vigor do regulamento 2023/1115 da União Europeia no fim do ano. A norma antidesmatamento exige que a carne venha de áreas não desmatadas desde dezembro de 2020, e uma das formas de comprovar isso é a plataforma Visec Carne, impulsionada pelos próprios frigoríficos por meio do IPCVA.

Há algumas semanas, os lotes sem Visec passaram a ser pagos até 10% menos na porta do frigorífico, o que, no preço por quilo de carcaça, representa entre 700 e 800 pesos, e gerou denúncias e reclamações. No MAG, por outro lado, a diferença ficou limitada a cerca de 200 ou 250 pesos.

“Se puder, o frigorífico vai comprar tudo fora, porque ali tem mais poder sobre os preços. O setor tende cada vez mais a se concentrar, e o que o mercado faz é estabelecer valores de referência e oferecer transparência”, afirmou um referente de Cañuelas ao Bichos de Campo.

Preços de referência e transparência

O ponto forte é o que acontece na relação com a União Europeia: se a venda passa por Cañuelas, ainda que de forma televisionada, são gerados preços de referência que os produtores podem usar depois, e se tornam transparentes as operações sobre o que o comprador paga mais ou menos.

“Apoiem o MAG. Este mercado é de vocês, de todos os produtores, e vocês precisam defendê-lo”, afirmou o leiloeiro Fernando Sáenz Valiente ao final do leilão. “É uma oportunidade tanto para a exportação quanto para os clientes. Nós, leiloeiros, somos muito importantes nesta cadeia”, acrescentou Alfonso Monasterio, da firma Monasterio Tattersall.

O futuro dos leilões

“O leilão MAG TV Exportação já faz parte da agenda de produtores, leiloeiros e frigoríficos. Trabalhamos para que cada jornada traga mais previsibilidade, transparência e preços de referência para o gado que vai aos mercados internacionais”, destacou Nicolás Franchini, coordenador-geral do MAG.

“Este canal se consolidou como uma referência para o negócio do gado de exportação. Agradecemos aos produtores, às casas leiloeiras e à indústria frigorífica que o acompanham mês a mês. O objetivo é seguir crescendo e somar cada vez mais oferta”, disse Carlos José Colombo, presidente do Mercado Agroganadero. Em dezembro será realizado o décimo e último leilão do ano, e a agenda será retomada a partir de março. Com a expectativa de superar as 15.000 cabeças em 2026, o setor confia em que o impulso venha do mercado europeu, das exigências ambientais e da busca por uma referência de preços.